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Diario de uma emigrante

Um blog, de auto-ajuda, criado para partilhar a minha experiencia de vida e o meu dia-a-dia. Contado na primeira pessoa, enquanto emigrante, na Republica da Irlanda, desde 2005.



Sexta-feira, 18.07.14

Quem Muda, Deus Ajuda...

Este foi o ano da mudanca.

Desde que regressamos de ferias, o ano passado, ate agora eu sinto que mudei.

Nao foi a minha vida, que mudou, fui eu.

Nao mudei de casa, nem de carro, nem de emprego, nem de marido, nem de filhos, nem de pais, nem de amigos.

Nao mudei de nada e nada mudou na minha vida.

Apenas eu.

Aos meus olhos, houve uma aceitacao da minha vida, na Ilha.

Hoje, olho para tras, e agradeco aos meus amigos que me emprestaram um ombro, sempre que precisei e preciso chorar.

Eu escolhi ir para a Ilha.

Eu escolhi ter mais filhos na Ilha.

Eu escolhi desempregar-me e ficar a educar os meus filhos e a cuidar deles em casa.

Escolhi viver com menos dinheiro e ganhar mais, em tudo o resto.

Escolhi as escolas dos meus filhos.

Escolhi a minha casa, na Ilha.

Escolhi estar longe de tudo e de todos, ate na Ilha.

Hoje, olho para tras, e agradeco a Deus (por me ter permitido) e a mim, por ter tido essas escolhas.

Hoje, sinto, que a cada obstaculo que tenho e tive, fico mais e cada vez mais forte.

Sinto que saio de cada um deles, mais fortalecida.

Como que se precisasse de todos eles para crescer interiormente e emocionalmente, mesmo sem me dar conta.

Hoje sinto, como que se o meu ''eu'' crianca, precisasse de todos estes desafios tremendos, para tomar a consciencia, de que sou tao mais forte, do que durante tanto tempo, acreditei.

E a minha confianca a subir, eu sei.

E agradeco a cada um dos meus amigos, aos meus pais, ao meu marido e aos meus filhos, por isso.

Cada um a sua maneira, foi-me dando a mao, para eu sair da lama, na altura, em que eu me estava a afundar nela.

Este foi o ano, em que senti que podia regressar a Portugal.

Confesso-o aqui, pela primeira vez.

Podia ter regressado.

Numa primeira fase, achei que era medo.

Medo do incerto, medo de me arrepender, medo de voltar a estaca zero.

Tantos medos, pensava eu.

Parei por dias, a pensar nisso.

A minha voz interior dizia-me, que nao, que nao era medo.

Mas eu acreditava que sim, a minha mente, queria-me fazer acreditar que sim.

Aprendi ao longo deste ano, que se nos perguntarmos algo, a resposta imediata, e-nos dada pela nossa voz interior, e nao pela nossa mente.

Aprendi que a minha mente esta como que ''envenenada''(pela sociedade, desde que nascemos).

A minha voz interior esteve submissa, por tanto tempo ao poder da minha mente, que embora esteja a ganhar terreno, a passos largos, a verdade, e que ainda tem muito a percorrer.

Desta forma, percebi que afinal, tenho a vida que sempre sonhei e lutei para ter.

Sempre.

Por isso mesmo, estagnei.

Nao tinha valorizado devidamente o que fui conquistando.

Nao tinha feito mais planos e sonhado mais, porque de alguma forma, achei que tinha chegado ao topo dos meus sonhos, e que por isso, nao deveria atrever-me a sonhar mais.

Eu ja me sentia uma sortuda...

Ja tinha tudo o que sempre sonhei na vida.

Engano meu! Tanta asneira!! Valha-me Deus!!!

Em primeiro lugar, nao soube estar devidamente grata, pelo que consegui, nem a mim, nem a Deus que me permitiu, nascer na minha pele, permitindo-me assim, experienciar e viver todos os dias da minha vida.

Sejam eles de maior ou menor aprendizagem.

De maoir ou menor aflicao.

De choro ou de alegria.

Em segundo lugar, porque perdi a confianca, em mim e em Deus.

Creio que ainda nao tinha percebido, na sua plenitude, que Deus me proporciona e me permite viver cada dia da minha vida.

Que se o mundo e se eu estamos em constante mudanca, entao, porque raio eu acreditei que tinha que estagnar, ao chegar ao topo dos meus sonhos.

Porque? Estava adormecida.

Fiquei adormecida.

Acredito que a sociedade, as pessoas ao nosso redor, ajudam a sentirmos isso mesmo.

''Perante tanta desgraca, contenta-te, mas e, com o que tens. Da mas e gracas a Deus.''

Acomodei-me e tive medo.

Medo de realmente perder o que alcancei, a custa de muito trabalho e disciplina orcamental.

Quando me despedi, fi-lo, essencialmente, por dois motivos.

O que pesou mais eram as nossas preocupacoes, com o JP, sem duvidas, nenhumas.

Porem, houve de facto, outro motivo forte.

O de eu propria, ter sido ''vitima'' de bulling, no local de trabalho.

Foi o dois em um.

Ficar em casa a viver um sonho secreto, de estar com os meus filhos e educa-los eu; e refugiar-me das pessoas.

Estava na lama e tinha medo que fosse cada vez mais pisada, do que ja havia sido.

Hoje, olho para tras e percebo os meus medos.

Eram legitimos e para mim, reais, na altura.

Aceito e compreendo todos eles.

Percebo que dificilmente podia ter feito melhor ou valorizado melhor, o que quer que fosse, incluindo a minha vida e os meus sonhos.

Percebo que os meus sonhos foram conquistados, tambem, porque eu tive a coragem de me afastar, do que me estava a fazer mal.

''Ninguem mais pisa em mim e agora vou cuidar da minha familia, ainda que com dificuldades financeiras, pelo facto de me ter despedido.''

Foi um misto de emocoes, na altura.

Fui corajosa, ainda assim, e assumi totalmente, as minhas escolhas.

Foi um alivio nao ter que continuar a estar no mesmo espaco e ver as mesmas pessoas diariamente que tao mal me faziam e  fizeram sentir.

Tudo a custa da falta de confianca em mim e nas minhas capacidades.

Tudo por invejas e ciumes.

Fizeram-me bulling, trataram-me como lixo, como merda, porque eu deixei.

Esta e a verdade, dura e crua.

Eu permiti.

Foram precisos mais de 5 anos, para hoje, eu poder escrever e afirmar, cada uma destas palavras.

Nao me culpo.

Nao. Nada disso.

Foram circunstancias da vida.

Uma serie de acontecimentos, enfim.

Hoje, olho para tras e vejo que os sujeitos eram (e acredito que ainda sao) uns coitados, uns tristes.

So pessoas de muita ma indole, se aproveitam das fraquezas dos outros, para tirarem algum partido dessa condicao.

Mas isso, vejo, hoje, com uma confianca, que na altura, nao tinha.

Hoje, tenho mais planos e mais sonhos para mim.

Hoje, sei que precisava, como cada um de nos precisa, do meu proprio tempo, para chegar aqui, onde estou.

Cada um tem o seu tempo.

Agora entendo, que nao adianta querer que aquela ou a outra amiga, saia da lama.

Cada um tem o seu caminho.

Posso apenas inspirar e dizer eu sei, eu tambem estive la.

Mas se eu consegui, tu tambem podes conseguir.

Acredita.

Beijinhos de Mim  

 

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por Diario de uma emigrante às 15:49


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