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Diario de uma emigrante

Um blog, de auto-ajuda, criado para partilhar a minha experiencia de vida e o meu dia-a-dia. Contado na primeira pessoa, enquanto emigrante, na Republica da Irlanda, desde 2005.



Sexta-feira, 06.09.13

A Vodafone...

Estava a sair do Norteshopping, quando o meu telemovel tocou.

Eram uma coisa de 16 horas, do dia 06 de Setembro de 2005.

Era um familiar meu que estava na Irlanda.

Perguntou-me, entao, se eu queria ir trabalhar, por tempo indeterminado, para a Irlanda. Podia ser,  por muito ou pouco tempo, mas tenho a ideia que falou em 3 meses, inicialmente. Nao consigo precisar.

Estava sem trabalho e estava a entregar curriculos, em tudo o que era lugar. Dai estar a sair do Norteshopping.

Ha alguns meses que a questao de emigrar se tinha levantado.

O maridao tinha perdido o emprego e o fundo de desemprego, em breve acabaria.

Por muito que se esforcasse, nao conseguia encontrar nada. Ou, imagine-se, porque ja tinha 30 anos; ou, porque lhe davam o mesmo do que estava a ganhar pelo fundo de desemprego.

O problema, ja velhinho portugues, que todos nos conhecemos, na primeira ou na treceira pessoa. Nada de novo.

Bolas!!! Precisava do ordenado dele. Mas a verdade e que se a receber o ordenado minino, ainda assim lhe tirava o custo do transporte, e a disponibilidade de estar em casa e me ir adiantando os banhos do J.P., o jantar, as limpezas da casa...EU era a primeira a dizer- Nao!!!

Ja tinha alguns anos de experiencia de armazem e queriam pagar-lhe como se nao tivesse qualquer experiencia de armazem.

Acho que fomos dos primeiros a sentir a crise.

Hoje em dia, olho para traz e digo, ainda bem.

Eu tinha-me despedido.

Era gerente de uma loja. Alias, quando me despedi, na verdade era gerente de duas.

Nao vou aqui mencionar o nome. Mas os meus amigos sabem qual e...

No ano anterior, tinha recebido um convite, para ir com o patrao, que estava a representar a marca, em Portugal, a Espanha. Tinha ganho o privilegio de poder assistir, a coleccao de Outono e Inverno, do ano seguinte. Era muito boa no que fazia. Quem me conhece e especialmente quem trabalhou comigo, sabe que e verdade.

Com a entrada de novos elementos para a empresa, acabei por ter uma nova chefe.

Nao e novidade, nem mentira, que e obvio o que aconteceu. Eu sabia mais do que ela, muito mais, a expeirencia falava mais alto.

Ja tinha passado por varias lojas. Ja tinha ido ajudar noutras lojas. Ja tinha visto e ouvido muita coisa.

Mas acima de tudo tinha tido uma excelente professora. A minha chefe. Alias, ex-chefe.

E sim, sem falsas modestias, eu tambem era uma aluna aplicada e atenta. Muito atenta. Uma aluna que tinha paixao pelo que fazia e tranparecia isso, para todos. Juntem a isso a minha mania de perfeicao.

Estava a ser roubada por funcionarias, so nao sabia por qual. Tinha as minhas suspeitas, mas nao passavam disso mesmo, suspeitas. Quem e chefe sabe algumas leis subjacentes a profissao. Nao pomos a mao no fogo por ninguem, mesmo que nao acreditemos que fulana x fosse capaz de roubar, nao o podemos dizer. Temos que tratar todos por igual.

A minha nova chefe era nova. Nao percebia da mecanica da loja e do funcionamento global. Nao entendia como e que eu com duas lojas, sabia exatamente o artigo, que me faltava. Percebi muito cedo, que foi isso que lhe fez confusao.

Fui ingenua. Havia um livrinho, escondido do patrao, obviamente, que colavamos as etiquetas das pecas que levavamos para nos e pagavamos nos saldos, ou quando nos desse mais jeito. Ate porque algumas pecas nao entravam nos saldos. A minha chefe anterior sabia. Eu como gerente de loja, tambem o fazia e deixava as miudas fazerem, com a minha supervisao.

Nao, nao estava muito correcto. Mas dai a acusarem-me de roubo, vai uma grande diferenca.

A nova chefe, a meu ver, sentindo-se de certa forma ameacada, acusou-me, entao, de roubo, perante os recursos humanos, mesmo, tendo eu ja sido avisada e pago todas as minhas coisas antes da ''bomba explodir''. Os actos dela denunciavam-na. Sabia o que andava a tentar fazer.

No dia em que me acusou de roubo e me disse que os recursos humanos, ja sabiam, liguei a um amigo advogado (estarei-lhe eternamente grata) e disse-lhe a verdade toda. Nao tinha roubado nada, que sim existia esse livrinho, mas que eu inclusive, ja tinha pago tudo o que era meu.

Foi a segunda vez, na minha vida, que estive a um passo, de bater em alguem.

Finalmente, tinha passado de bestial a besta! Ouvira a minha anterior chefe, tantas e tantas vezes, a dizer que naquela empresa, um dia era-se bestial e no outro besta. Tinha chegado o meu dia.

Liguei aos recursos humanos.

Despedi-me no mesmo dia!!! Porque???

Tinha um marido desempregado, um filho para criar, uma casa para pagar ao banco e uma divida de uma loja que tinha tido. Mas tudo o que sabia e que se naquele momento, aquela empresa que ate ali me tinha em consideracao, deixou de ter, sem sequer me ter perguntado, absolutamente nada.

Ha coisas que aprendemos muito bem, e a minha mae, tambem, ela, foi uma grande professora.

Roubar...nunca!!! Rezemos para nunca ter de pedir....

Ainda hoje e um dos lemas da minha vida. E orgulho-me muito disso.

A minha honra em primeiro lugar....

Hoje em dia agradeco a essa empresa e a Vodafone (uma piada!!!)...ihihihihih

OBRIGADA....POR ME TEREM EMPURRADO PARA A IRLANDA!!!

Muito, muito obrigada.

Ah....ja me esquecia, a minha chefe, pouco tempo depois, foi recambiada para Lisboa e depois tambem acabou por ir embora....

Eu nao precisei de lhe bater...Deus tratou de lhe dar um ensinamento, seja la ele qual tenha sido.

Beijinhos de Mim

 

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por Diario de uma emigrante às 14:53


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