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Diario de uma emigrante

Um blog, de auto-ajuda, criado para partilhar a minha experiencia de vida e o meu dia-a-dia. Contado na primeira pessoa, enquanto emigrante, na Republica da Irlanda, desde 2005.



Quarta-feira, 31.07.13

De regresso a casa.

Ja chegamos!
Aparentemente chegamos a casa. Mas chegar a casa e uma expressao que me custa particularmente usar. Chegar a casa e bom. Chegar a casa e optimo.
Mas quando eu o digo e como que se faltasse algo. Algo que e tao dificil explicar como sentir. Sinto que falta estarmos em Portugal. Falta sentir que estamos realmente em casa.
Gosto imenso da minha casa. Nao e uma casa grande nem muito menos como a de muitos dos meus amigos em Portugal-linda de morrer.
Mas e onde eu sou feliz. Onde me sinto feliz. Onde estou quase 24 horas por dia. E o meu lar. E adoro o meu lar.
Mas estar fora por 2 meses foi novamente estranho. Quando cheguei ja nao me lembrava onde era o sitio de muitas coisas. Desde os sacos do lixo as roupas dos miudos....Foi uma sensacao horrivel para mim, e nao so. Pelos vistos os miudos parecem nao terem muitas lembrancas de que viveram aqui.
O T., ao subir as escadas, ia admirando as fotos de amigos e familiares chegados. E ia falando sobre elas com muita admiracao como se tivesse sido a primeira vez que as viu.
O R. comecou a brincar imediatamente com todos os brinquedos, como se nunca tivesse na ideia de que ja tivera brincado com aqueles que estavam ali a disposicao dele. Os seus brinquedos.
Com o J.P. foi diferente. Veio para ca com 6 anos. Ja viveu quase 8 aqui. Viveu mais aqui, do que em Portugal, com muita pena minha e dele, tambem.
Adora Portugal e noto que a cada ano e mais dificil para ele regressar a Irlanda.
Por ele ficariamos para sempre em Portugal, ao pe dos que demonstram que o amam, ao pe dos que ele tambem ama de verdade.
Nao tem muitos amigos aqui na Ilha, portanto ainda nao tem muita ligacao fisica ou psicologica com este lugar.
A nossa casa fica a uma horita do aeroporto. No caminho vim a pensar que Portugal nunca me iria poder dar o que tenho aqui. Aqui ainda vou conseguindo poder ir de ferias. Seja a Portugal ou a outro sitio qualquer do mundo.
Em Portugal gasta-se muito dinheiro em nada......nao sei como as pessoas conseguem viver. E e nestes momentos de reflexao que penso nos meus amigos, em especial, os que me dizem para eu nao cometer uma loucura e nao ir embora quando me vou abaixo.
Entendo-os melhor nesses momentos.
Ha determinadas coisas que e muito dificil para as pessoas em Portugal entenderem.
Aqui consegue-se, eu consigo, juntar um pouco de dinheiro ( para as ferias) porque, exatamente, nao tenho vida social.
Nao ha gastos com cafezinhos e pequenos almocos ou almocos e jantares fora de casa. Como ja disse, anteriormente, nao tenho imensa coisa que puxa ao consumismo. Nao sinto a falta disso. Nao sinto mesmo.
Sinto a falta de amigos, mas nao do consumismo exagerado.
Mas fiz uns ajustes ca em casa. Digamos que foram umas resolucoes que surgiram das merecidissimas ferias.
Tive que ceder e pedir ajuda. Tive que ceder e ir contra ao que me esta na pele. Poupar, poupar e poupar.
Percebi que se nao quero voltar ao ponto que cheguei, antes das ferias, tinha de mudar algo.
Percebi que contratar alguem para me ajudar nas limpezas da casa e outro alguem, para ficar com os miudos, 2 horas por semana, sera um ganho e nao um gasto.
Os miudos vao ver caras novas e perceber que o mundo, nao e so o pai e a mae.
Vao ter acesso ao exterior dentro de casa.
Nos os adultos vamos ter tempo para nos. Podemos ir correr a praia sem miudos. Namorar sem ser depois das 22 horas. Tomar um café ou ate ir comer um gelado. Podemos e pronto.
Com o facto dos meninos nao perceberem o ingles, o J.P. ajudara, sentir-se-a util e valorizado. Tambem ele tera alguem com quem falar. Fora os amigos da escola, o pai e a mae.
Acredito, que eu, sem tanta pressao, vou estar mais calma e ser mais eu, com os meus 3 filhos.
Acredito que uma ajuda destas pode ser preciosa na minha vida, no momento.
Vamos la ver como funciona e se funciona.
Os meus filhos merecem uma mae no seu melhor!
E o pai deles tambem...

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por Diario de uma emigrante às 23:15


2 comentários

De Diario de uma emigrante a 02.08.2013 às 08:44

Obrigada Amiga pelas tuas palavras de carinho e compreensao. Tocaram num sentimento importantissimo que sinto...a culpa. A culpa de ser julgada pelos que nao imaginam o que e nem como e ser mae 24 horas por dia, 366 dias por ano. Num pais em que o tempo la fora nao permite muito os meninos disfrutarem do jardim...nao conseguindo eu assim tira-los de dentro de casa para arrumar sem eles agarrados as minhas pernas, a vassoura, ao aspirador....a tentarem ajudar, claro!
Mas ainda que a minha mae me tenha ensinado que vozes de burros nao chegam aos ceus...as vezes conseguem chegar a magoar!
Mas se calhar isso era um mote para mais uma pagina deste blog.....
Beijinhos e um xi <3 aos 4.

De Anónimo a 01.08.2013 às 22:56

Concordo plenamente contigo, teres alguém para te ajudar nas lides domésticas e alguém para ficar com os meninos de vez em quando para namorarem um bocadinho, é louvável, para tu relaxares um pouco, porque ser mãe 24h por dia 366 dias por ano, já contando com os anos bissextos , não é fácil daí haver tantas depressões, e tu nesta altura não precisas de nenhuma!!! vai em frente e nunca te sintas culpada porque só estás a fazer o melhor por eles, um dia mais tarde eles vão-te agradecer a ti e ao tó pelos belíssimos pais que foram e lembra-te eles são sempre o nosso espelho!!! beijocas Patricia

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